Literatura

A primeira vez

– foi estranho. quando tava ficando bom, acabou.
– os homens são assim mesmo, filha, você se acostuma.
– o papai também era assim?
– pior. com ele nem sequer chegava a ficar bom.
– e você não falava pra ele?
– falava, mas ele já tava dormindo.
– tem outra coisa que eu não entendi. ele gemeu o tempo todo, mas no finalzinho deu um gemido mais forte, como se estivesse com dor. mas eu juro que não fiz nada, mãe. o que houve?
– não se preocupe, é outra coisa que os homens fazem. o último gemido é o que indica que eles terminaram.
– eu posso tá enganada, mãe, mas tenho a impressão de que, no final, ele fez xixi dentro de mim.
– oh não, menina… não era xixi. era o sêmen dele. é mais esbranquiçado e viscoso que a urina. parece leite.
– e pra onde aquilo vai, mãe?
– aquilo tem um monte de espermatozoides que vão procurar o teu óvulo. eles ficam batendo, batendo…
– e pra que eles batem, mãe?
– porque eles querem entrar.
– mas por que eles querem entrar?
– porque é assim que se faz bebê. foi assim que você, eu e todo mundo fomos feitos.
– e quando eles entram pela boca, eles também encontram o caminho?
– mas que raios de conversa é essa, menina?
– é que depois de tudo o paulo falou que… deixa pra lá, mãe. não quero aborrecê-la. só me responde mais uma última coisa.
– diga.
– como eu faço pra gemer igual ele?
– é fácil. grite aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh… pronto, gemeu.
– não era disso que eu tava falando, mãe. como eu faço pra gemer na hora da coisa.
– bem, aí você precisa arrumar um amante.
– o que é um amante, mãe?
– é o marido que faz você gemer.
– que legal. vou pedir pro paulo arrumar esse outro marido pra mim.
– não foi isso que eu… manoela, onde você vai? volte aqui, guria!

Crédito da imagem: http://minha-heranca.blogspot.com/2014/07/eu-quero-minha-mae.html.

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