Literatura

O mistério da aranha peluda

– mãe, que negócio peludo é esse no meio das suas pernas?
– deixa isso pra lá, menino.
– mas tá enrolado, mãe…
– já falei pra tu deixar isso pra lá.
– num tem barbeiro pra mulher, mãe?
– ô, moleque, se tu falar disso de novo, eu juro que te dou uns tapas.
– tá bem, num falo mais. mãe…
– o que foi agora?
– por que o pipi do papai é maior do que o meu?
– isso tu tem que perguntar pra ele.
– mas eu já perguntei.
– e o que ele respondeu?
– ele falou pra perguntar pra você.
– e como eu vou saber de uma coisa dessas, menino? por acaso tu não tá vendo que eu não tenho a mesma coisa que vocês?
– será que não tá aí detrás desse negócio, mãe? talvez se você aparar…
– sai daqui, moleque. vai embora. e fala pro teu pai que, na hora que eu sair daqui, a gente vai ter uma conversa.
– mas eu tô cheio de sabão, mãe.
– tá bem, vem cá que eu vou te enxaguar. mas nem um pio, tá ouvindo?
– mãe…
– o que foi dessa vez, criatura?
– você e o papai tavam brigando ontem à noite?
– claro que não. que conversa besta é essa?
– é que ontem à noite eu acordei pra fazer xixi e ouvi o papai gritando: vagabunda, puta, desgraçada, eu vou te arrebentar no meio…
– ô, moleque, cala a boca. nem mais um pio, tá ouvindo?
– tá bom, mãe, num falo nada.

Crédito da imagem: http://www.curionautas.com.br/2014/12/a-terrivel-aranha-peluda-albina.html.

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