Feminismo

O sexo como armadilha – Parte 2

Na primeira parte desse artigo, expliquei como o jogo da conquista se tornou uma atividade arriscada para o homem, na medida em que ele pode ser acusado de assédio por qualquer ninharia que diga ou faça – já que o conceito de assédio foi de tal forma ampliado pelas feministas que agora tudo pode caber dentro dele. Hoje quero falar dos riscos que o homem corre de cometer um crime durante o ato sexual.

Uma discussão interessante que se seguiu à acusação de estupro feita por Najila contra Neymar foi a seguinte: se uma mulher retirar o seu consentimento durante o ato sexual e o homem continuar fazendo sexo com ela, isso pode ser considerado estupro?

As feministas não têm nenhuma dificuldade de responder a essa questão de forma positiva. Sim, se uma mulher pede ao homem que pare durante o sexo e ele continua, isso é estupro. E dado que as feministas hoje moldam a sensibilidade pública sobre essas questões, toda a sociedade acha que essa é uma resposta não apenas razoável como até muito óbvia, e qualquer um que levante dúvidas sobre a sua validade só pode ser considerado um apoiador de estupradores e da tal cultura de estupro. Contudo, não existe nada de muito óbvio nessa resposta, como vou mostrar a seguir.

Durante as preliminares, ou até mesmo no início de um ato sexual, quando o homem e a mulher ainda estão, por assim dizer, “esquentando”, não seria difícil para um homem – embora fosse desagradável – interromper a transa a pedido de sua parceira. Esse é um momento em que a racionalidade permanece mais ou menos intacta, em que o discernimento ainda não sucumbiu à tirania dos hormônios liberados, em que o juízo ainda não foi completamente comprometido pela força dos instintos. Mas à medida que o ato sexual avança, nossas defesas racionais vão cedendo, nosso corpo vai sendo inundado de hormônios, nosso juízo vai se comprometendo, de tal modo que não é incomum ver uma pessoa perder o controle tanto de seu corpo quanto de suas palavras durante o sexo. Quem nunca viu uma beata que nunca disse um palavrão na vida começar a dizer coisas durante o orgasmo que enrubesceriam o capeta? Ou socrancas de aparelho nos dentes, óculos fundo de garrafa e penteado maria-chiquinha, tímida até não ter mais jeito em outros contextos, transformar-se numa devassa na cama, do tipo que xinga, arranha e bate, que dá a impressão de que, se você parar o ato, jamais te perdoará por isso? Homens e mulheres que já fizeram sexo – pelo menos um bom sexo, o que não parece ser o caso das feministas – sabem que há um momento a partir do qual, principalmente perto do orgasmo, em que interromper a transa é muito difícil, senão impossível. Exigir que um homem tenha tal domínio de si nessas horas e puni-lo com cadeia por não o ter é crueldade. Como diz o ativista neozelandês dos direitos dos homens Peter Zorahb: “Um homem não é simplesmente um vibrador vivo que responde ao chamamento ou sinal da mulher. O homem não pode ser ligado e desligado como parece ser o desejo de algumas mulheres e do sistema legal feminista.”[1]

As feministas, no entanto, querem exigir que um homem obtenha um consentimento contínuo da mulher após obter o consentimento inicial, o que coloca o homem na necessidade de ter que manter o autocontrole e a vigilância durante um ato em que normalmente as pessoas perdem as rédeas. Mesmo que a mulher tenha dito “sim” e não manifeste nenhuma intenção de retirar o seu consentimento durante o coito, que prazer teria um homem em transar nessas circunstâncias, como se houvesse um machado suspenso acima do seu pescoço e que poderia cair a qualquer instante? E se, durante o sexo, uma mulher disser aquelas coisas que as mulheres costumam dizer nessas horas, por exemplo: “Por favor, não faz isso comigo não”? O homem teria que mobilizar todas as suas faculdades intelectuais para analisar se este é um gemido que convida a continuar ou um pedido para parar, uma análise que poderia ser difícil até mesmo para alguém que não estivesse participando da transa. Qualquer mal-entendido poderia lhe render uma acusação de estupro.

Dadas as dificuldades, já para não dizer a impossibilidade, que os homens enfrentam para interromper um ato sexual a partir de certo momento, faz muito mais sentido exigir que as mulheres deem um consentimento que dure até pelo menos o final da transa e, se não puderem dar tal consentimento, que não deem consentimento nenhum. Em outras palavras, é melhor dizer não no início do que dizer sim e depois convertê-lo em não. Aliás, isso já deveria ser assim por uma mera questão de ética sexual. Assim como não se deve despertar sentimentos de paixão em outra pessoa e depois não corresponder a ele, ninguém deveria excitar sexualmente outra pessoa e depois deixá-la na mão. Quando esse mau comportamento pode terminar numa acusação de estupro, a adoção dessa ética sexual torna-se ainda mais imperiosa. Agora, se as mulheres disserem que não são capazes de dar um consentimento que dure 10 minutos – tempo médio estimado de uma relação sexual –, então o melhor que os homens podem fazer é manter uma distância segura delas e procurar satisfazer suas necessidades sexuais com alguém que saiba o que quer da vida (sejam prostitutas, outros homens, travestis, bonecas sexuais e o que mais exista).

Para que não pairem dúvidas sobre o que estou dizendo, um esclarecimento: não pretendo dizer que, após dar seu consentimento inicial, uma mulher deva ser obrigada a satisfazer todos os caprichos eróticos do seu parceiro. Durante o sexo, é perfeitamente natural haver alguma negociação sobre o que cada um considera desejável ou tolerável. Por exemplo, uma mulher pode legitimamente recusar-se a fazer sexo anal com seu parceiro se não gostar dessa prática. Pode recusar-se a isso até mesmo após o início da prática, caso a experiência lhe cause dor ou desconforto. Mas isso muito diferente do tipo de direito que as feministas querem dar para as mulheres. As mulheres que se recusam a realizar essa ou aquela fantasia masculina geralmente não interrompem o ato sexual; não forçam o homem a ficar alerta o tempo todo para evitar cometer um crime; não introduzem o pânico e a paranoia no sexo; não convertem um ato que é predominantemente instintivo num ato racional; não transformam o sexo numa armadilha para os homens. Já o direito que as feministas querem conceder às mulheres faz tudo isso.

Além de não pensar na questão da dificuldade ou impossibilidade de um homem interromper um ato sexual, as feministas também não levaram em conta as necessidades, os interesses e o bem-estar dos homens. Não estou falando apenas de um desejo que ficou insatisfeito após ter sido atiçado, o que já é ruim por si só. Um estudo citado por Zohrab encontrou uma relação de causa e efeito entre o coito interrompido e uma condição médica conhecida como blue balls (bolas azuis). Eis o que Rosenfeld, o médico autor do estudo, diz:

Outra causa da dor testicular é uma relação sexual não completada. A congestão resultante dos tecidos do escroto causa dor. A situação, conhecida entre aqueles que a sofrem por “bolas azuis”, é remediável – mas não por um médico![2]

A Wikipédia dá um relato mais detalhado do que vem a ser essa condição:

Blue Balls é uma gíria para uma congestão temporária de fluidos nos testículos e região da próstata causada pela prolongada excitação sexual do homem.

Causa
A causa é a estimulação sexual prolongada do pênis ereto (intencional ou involuntária), pelo contato direto ou indireto, que não resulta no orgasmo e na ejaculação. Esta pode, em algumas circunstâncias, ser um ato sexual consensual como parte da negação sexual.
Durante a excitação de um homem sexualmente maduro, o sistema nervoso parassimpático aumenta sua atuação no tecido genital, tendo por resultado o fluxo aumentado de sangue nos testículos e áreas da próstata. Enquanto isto acontece, outros fluidos extravasam e os músculos contraem, fazendo com que menos líquido corporal saia da área do que entra, assegurando uma alta pressão de sangue na região permitindo uma ereção sustentada para a penetração durante a relação sexual.
Se o orgasmo não for conseguido, o sangue e o líquido linfático tendem a ficar armazenados, e o sangue torna-se deficiente em oxigênio. O termo técnico para isto é vasocongestão. Pode ser extremamente doloroso, como uma batida nos testículos, mas por dentro[3].

Temos então um conflito de interesses aqui: de um lado, há o interesse da mulher em interromper um ato sexual a qualquer momento; de outro, há o interesse do homem em levá-lo até o final. Precisamos pesar as desvantagens que cada sexo teria que suportar se suas necessidades e interesses fossem contrariados. As desvantagens do homem acabamos de ver: desejo sexual insatisfeito depois de atiçado e blue balls. A desvantagem das mulheres seria continuar fazendo sexo sem estar com vontade.

A resposta para esse conflito depende fundamentalmente do que se entende pela última frase. Houve muitas vezes na vida em que eu fiz sexo com namoradas sem estar com vontade, para agradá-las ou para evitar o mau humor e as cobranças no dia seguinte. Outras tantas vezes eu quis parar durante o ato sexual e continuei fazendo, pelos dois motivos mencionados. Embora não fossem situações agradáveis, nunca passou pela minha cabeça chamar qualquer uma dessas coisas de estupro. Suspeito até que fazer sexo sem estar com vontade, quer para agradar o parceiro, quer para evitar as cobranças e o mau humor no dia seguinte, seja uma prática comum entre os casais, algo que é feito tanto por homens quanto por mulheres, sem que qualquer um deles chame isso de estupro. Por isso, considero que as desvantagens do homem sejam maiores. Agora, se você acha que fazer sexo sem estar com vontade é estupro, sua resposta será diferente da minha. Você dirá – e eu também diria se entendesse isso como você – que as desvantagens das mulheres são maiores. É irrelevante para o meu argumento que eu esteja certo ou errado sobre essa questão. O importante aqui é nada disso foi debatido pelos dois interessados. Apenas as mulheres – e o pior tipo delas… – foram chamadas a estipular as regras do jogo. Apenas os interesses e as necessidades de um dos sexos foram considerados.

Outra controvérsia ligada ao coito decidida unilateralmente pelas feministas diz respeito à influência do álcool no ato sexual. Muitas feministas argumentam que se um homem fizer sexo de forma consensual com uma mulher bêbada, isso é estupro, pois ela não estaria em condições adequadas para dar tal consentimento. Entretanto, no episódio envolvendo Najila e Neymar, ficou claro pela conversa que eles tiveram pelo Whatsapp que ela o convidou para fazer sexo sabendo que ele estava bêbado e, no entanto, nenhuma feminista considerou a hipótese de ela o ter estuprado. Para piorar as coisas, mesmo quando o homem e a mulher se embebedam juntos e depois fazem sexo, as feministas consideram isso como estupro. Essa é a regra que está vigorando hoje nas universidades americanas. Um artigo publicado por Hoff Sommers no Chronicle of Higher Education retrata o problema:

Reitores de instituições como as Universidades de Yale, Stanford e Brandeis e as Universidades da Geórgia e de Oklahoma já estão se apressando em mudar seus procedimentos disciplinares para cumprir o decreto do Departamento de Educação. Agora, nos campi de todo o país, enfrentamos a perspectiva de comitês acadêmicos – munidos de vagas definições de agressão sexual, baixos padrões de prova e sanção oficial para a noção de que sexo sob influência [de drogas ou álcool] é, ipso facto, agressão ou estupro – decidindo o destino de estudantes acusados ​​de um crime grave.

Os novos regulamentos devem ser vistos pelo que eles realmente são. Não são esclarecidos novos procedimentos para proteger os estudantes do crime. Eles são uma declaração de lei marcial contra homens, justificada por uma emergência imaginária, e uma traição à lei de igualdade do Título IX.[4]

Como observa Helen Smith:

Então, apenas homens podem consentir em sexo quando intoxicados? Se ele faz sexo quando está bêbado, ele é responsável, mas, se uma mulher o faz, ela não é? Isso não é sexista em relação às mulheres? Mas como você pode ver, as mulheres sempre são vistas como fracas e vulneráveis ​​quando se trata de consentir no sexo e os homens são sempre vistos como perpetradores…[5]

Agora imagine esta outra questão, também suscitada pelo caso Neymar: se uma mulher pode retirar o seu consentimento durante o ato sexual, ela também pode concedê-lo nesse momento? Em outras palavras, se um homem começar a fazer sexo com uma mulher sem o consentimento dela e, no meio da transa, ela lhe pedir para continuar, esse consentimento tardio faria com que deixasse de ser estupro? Aposto o dedo mindinho da minha mão esquerda que as feministas responderiam “não” a essa pergunta, o que nos leva mais uma vez a uma situação em que os homens perdem nos dois casos. Aparentemente, não tem jeito de os homens ganharem…

É nítido, por todos esses exemplos, que as feministas estão tentando criminalizar a sexualidade masculina sob o pretexto de proteger as mulheres do estupro. E estão fazendo isso alargando o conceito de estupro e estipulando regras que tornam o homem sempre culpado e a mulher sempre vítima. O objetivo final dessas feministas é dar à mulher um formidável instrumento de poder contra os homens, suscetível de ser usado das formas mais variadas possíveis em benefício das mulheres. Tal homem tem um cargo que eu cobiço? Acuso-o de estupro. Estou endividada e quero extorquir uma grana de um homem? Acuso-o de estupro. Quero me vingar do fulano que transou comigo e depois não me telefonou? Acuso-o de estupro.

O sexo para o homem se tornou hoje uma aventura de alto risco. As chances de se dar mal são enormes. Um homem pode ser acusado de assédio durante o cortejo e de estupro durante o sexo. E se ele conseguir escapar dessas acusações até aí, é possível que elas o encontrem depois do sexo. Mas isso fica para o próximo artigo.

[1] Peter Zohrab, em Sexo, Mentiras e Feminismo, p. 56.

[2] Peter Zorahb, Sexo, Mentiras e Feminismo, p. 57.

[3] http://rumoaoriso.blogspot.com/2007/09/blue-balls.html.

[4] Helen Smith, Homens em greve, p. 75.

[5] Helen Smith, Homens em greve, p. 76.

Crédito da imagem: http://diariwcinefilo.blogspot.com/2015/03/catalogo-instinto-selvagem-i-e-ii.html.

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Eita poha!😯