Feminismo

O sexo como armadilha – Parte 3

No primeiro e no segundo artigo dessa série, expliquei como o cortejo e o ato sexual se tornaram atividades de extremo risco para o homem, já que, pelos mais variados motivos, ele pode ser acusado de assédio ou estupro mesmo não tendo feito nada que merecesse receber esses nomes. Mas não é só antes e durante o ato sexual que o homem pode ser acusado de cometer um crime; depois também…

Eis uma situação a que qualquer homem está sujeito hoje: você corteja uma mulher, conseguindo miraculosamente não cometer assédio, e depois a leva para a cama, onde também miraculosamente consegue não cometer estupro. Na manhã seguinte, você se levanta, veste suas roupas e diz-lhe adeus ou até logo, deixando-a deitada na cama. A expressão dela é tranquila, serena, talvez até mesmo satisfeita e apaixonada, o que faz você acreditar que está seguro, que não será alvo de uma falsa acusação. Mas ela quer algo mais que uma transa casual e fica esperando você telefonar para marcar um novo encontro ou lhe propor namoro, o que não está nos seus planos. Magoada e exasperada com a rejeição, sentindo-se usada, arrependida de ter feito sexo com você, ela resolve, para se vingar, acusá-lo de estupro…

Episódios desse tipo não são incomuns. Aconteceu, por exemplo, com o americano Caleb Warner[1], ex-aluno da Universidade de Dakota do Norte, nos Estados Unidos. Warner tivera algumas relações sexuais com uma caloura da universidade e, após rejeitar o pedido de namoro dela, foi acusado por ela de tê-la estuprado.

Uma falsa acusação de estupro não seria num Estado que respeita o princípio da presunção de inocência. Mas as feministas têm estado em campanha para que esse princípio seja ignorado em casos de estupro contra mulheres, sob o duplo argumento (verdadeiro até) de que, primeiro, é extremamente difícil provar que um estupro aconteceu e de que, segundo, as falsas acusações de estupro são uma raridade comparadas às verdadeiras. Daí o lema feminista de que “deve-se sempre acreditar na palavra da vítima”, desde que a vítima, como ficou indicado acima, seja mulher.

O nível de delinquência desses argumentos é chocante. Consideremos, como alegam as feministas, que apenas 2% das acusações de estupro sejam falsas. Estariam as feministas argumentando que tudo bem mandar dois inocentes para a cadeia desde que 98 culpados sejam presos? Sim, é exatamente isso. Essas mulheres estão pouco se lixando para esses dois homens condenados injustamente. Elas são bem capazes de dizer que eles merecem sofrer por terem nascido homens, ou argumentar, como fez a reitora da Vassar, Catherine Comins, diante do caso de uns rapazes que foram falsamente acusados de estupro, que eles podem aprender alguma coisa…:

Eles têm muita dor, mas não é uma dor que eu necessariamente teria poupado. Acho que idealmente inicia um processo de autoexploração. ‘Como eu vejo as mulheres?’ ‘Se eu não as violasse, poderia fazer isso?’ ‘Eu tenho o potencial para fazer com ela o que eles dizem que eu fiz?’ Essas são boas perguntas. [2]

Como diz Hoff Sommers, comentando a declaração de Comins:

A reitora Comins claramente se sente justificada em superar o princípio da lei comum “presumido inocente até que se prove a culpa” por um novo princípio feminista “culpado mesmo que se prove inocente”. De fato, ela acredita que os estudantes não são realmente inocentes depois de tudo. Como assim? Porque, sendo do sexo masculino e sendo criados na cultura patriarcal, eles poderiam facilmente ter feito o que eles foram falsamente acusados ​​de terem feito, mesmo que eles não tenham feito isso. No que diz respeito aos homens, Comins acredita sinceramente na culpa coletiva. [3]

Dá para medir o ódio que as feministas sentem pelos homens observando suas contradições. Sabemos que alienação parental é um crime tipicamente feminino, já que na imensa maioria dos casos é a mãe que recebe a guarda da criança. Sabemos também que é um crime difícil de ser provado, pois geralmente a alienadora se comporta como um anjo na frente do juiz e como um demônio na intimidade. Entretanto, se perguntarmos a uma feminista se ela é a favor de abolir a presunção da inocência nos casos de alienação parental e aplicar a punição para quem a comete com base apenas na palavra do acusador, elas vão responder que não. Na lógica feminista, um homem pode ser preso por estupro com base na mera palavra da mulher, mas a mulher não pode perder a guarda do filho com base na palavra do homem.

Experimente em seguida dizer a uma feminista que você é a favor da pena de morte com base no argumento de que os erros judiciais são raros, de que a maioria dos condenados à pena de morte são realmente culpados e merecem ser executados. Ela provavelmente vai perguntar a você: mas e quanto aqueles que são inocentes?

Por esses dois exemplos, fica claro que o problema das feministas não é de princípios. Elas valorizam a presunção de inocência tanto quanto condenam a punição a inocentes. O problema do feminismo é ódio contra homens. Por isso, elas aceitam abrir mão desses princípios civilizatórios quando se trata de punir o sexo que odeiam.

Talvez por perceber a dificuldade de eliminar totalmente o princípio da presunção de inocência do ordenamento jurídico nos casos de assédio sexual e estupro, as feministas têm se esforçado para pelo menos baixar o padrão da evidência necessária para um tribunal condenar um homem por esses crimes. Na esfera universitária americana, isso já está em vigor há vários anos. Para condenar um estudante acusado de assédio sexual ou estupro, não é preciso mais uma prova “além de uma dúvida razoável”, tal como exige a tradição jurídica americana. Basta que o “ato seja mais provável do que não”. Como explica a matéria da Aljazeera America sobre o caso de Caleb Warner: “Apenas pouco mais de 50% da crença na culpa é necessária” [4]. Foi esse baixo padrão de “preponderância de evidência” que permitiu à Universidade de Dakota do Norte condenar Warner. Segundo o relato de Helen Smith, extraído de Men on strike, Warner foi

condenado por abuso sexual por um tribunal usando o baixo padrão da preponderância de provas, suspenso por três anos e proibido de participar de aulas em qualquer faculdade pública de Dakota do Norte. Apenas alguns meses depois de ter sido expulso do campus, no entanto, o departamento de polícia de Grand Forks, N.D, acusou sua acusadora de fazer uma denúncia falsa sobre a alegada agressão. (Ela ainda é procurada por essa acusação e supostamente fugiu do estado.) Quando o advogado de Warner trouxe isso à UND, a UND se recusou a reabrir o caso. Quando eles contataram a FIRE e a FIRE escreveu para a UND sobre isso, a UND afirmou que não havia novas evidências e que eles simplesmente determinaram que Warner era culpado de agressão sexual usando a mesma evidência que a polícia usou para acusar a acusadora de Warner de mentir para eles. Somente após a FIRE ter exposto sua indignação no Wall Street Journal, a UND cedeu, reconsiderou o caso e “anulou” a punição. Mas a UND nunca pediu desculpas ou mesmo reconheceu que eles entenderam o caso totalmente errado. [5]

Graças ao baixo padrão de “preponderância de evidência” que vige hoje nas universidades americanas, um estudante acusado de estupro não goza das garantias legais do devido processo legal que goza um homicida. É mais fácil a este do que aquele ser absolvido de uma acusação.

E não se pense que este é um caso isolado, que é apenas em Dakota do Norte que os homens estão sendo condenados porque, como diz Helen Smith, uma mulher apontou o dedo para eles. Como diz a matéria da Aljazeera America citada há pouco:

Na verdade, é o padrão para quase todas as faculdades. Em 2011, o Departamento de Educação avisou as escolas de que “a preponderância da evidência é o padrão apropriado para investigar alegações de assédio sexual ou violência”. As escolas que não cumprem a regra correm o risco de perder seu financiamento federal. [6]

Isso ainda não diz tudo sobre a extensão dos danos que as feministas vêm causando. Dei a entender até agora que o homem, para ser punido, precisaria de algum julgamento no qual o princípio da presunção da inocência seria descartado, ou seriam utilizados baixos padrões de evidência. Mas a demonização da sexualidade masculina promovida pelo feminismo, ilustrada por frases bombásticas como a de Marylin French “todos os homens, sem exceção, são estupradores”, tornou desnecessário até mesmo o julgamento para garantir a condenação e o castigo. Antes mesmo que um acusado de estupro seja condenado e punido pelo tribunal, ele já o é pela opinião pública a partir do próprio ato da denúncia, pouco importando quão sólidos ou frágeis sejam os indícios de culpa. Foi o que Neymar sentiu na pele. Apesar de haver vários furos no depoimento de Najila, de tudo apontar para uma armação grosseira, alguns jornalistas esportivos (Neto, Mauro Cezar e Bolívia) pediram que Neymar fosse temporariamente afastado da seleção. A Mastercard adiou a divulgação de uma campanha publicitária que seria estrelada por ele [7]. Isso para não mencionar o fato inacreditável de que, feita a denúncia, a polícia divulgou seu nome, endereço e telefone, enquanto o nome, endereço e telefone de Najila foram mantidos em sigilo. Se Neymar não tivesse divulgado as mensagens de whatsapp que tivera com a moça, a partir das quais foi possível identificá-la, até hoje estaríamos sem saber quem é a mulher que o acusa.

Agora imagine: se todas essas punições foram desencadeadas a partir de uma acusação feita por uma anônima a um dos melhores e mais bem pagos jogadores do mundo, o que pode acontecer a um homem menos afortunado que Neymar ao ser acusado de estupro? Infelizmente, não é preciso imaginar, pois a realidade está repleta de exemplos de homens que foram torturados [8] e/ou mortos [9].

E não, isso ainda não é o fim. Dado que o estupro é um crime de difícil comprovação, a absolvição de um acusado nem sempre é suficiente para convencer a opinião pública de que ele era inocente. A consequência é que os homens falsamente acusados de estupro continuam sofrendo toda sorte de punições – morais, sociais, econômicas etc. – mesmo depois que já se provaram inocentes. É o que mostra a matéria da Marie Claire intitulada “Ninguém quer saber se você foi inocentado”, diz pai acusado pela ex de abusar sexualmente da própria filha [10]. Um trecho do artigo ilustra bem isso:

Fernando foi absolvido na primeira e na segunda instância do processo criminal que se seguiu. Mas não viu a filha uma única vez antes da primeira sentença, nove meses após o rompimento. Nos quatro anos seguintes, teve apenas quatro encontros com a pequena. Para piorar, logo após a separação, a ex descobriu que esperava um segundo filho dele e deu à luz outra menina. O pai só teve autorização para conhecer a própria filha numa audiência, quando já tinha mais de 1 ano.

Nesse tempo, enquanto as duas meninas cresciam longe de seus olhos, viveu momentos dramáticos, como a perseguição de uma equipe de TV e a convocação da ex para que os vizinhos fizessem “justiça com as próprias mãos”.

A trágica verdade aqui é a seguinte: uma vez que uma mulher acusa um homem de estuprador, ele vai ser sempre um estuprador. Há dois dias, li no UOL que Neymar aceitou conceder uma entrevista para a Rede Bandeirantes, parece, mas que teria vetado dois temas: Barcelona e estupro. Veja bem, estupro, não falsa acusação de estupro, nem mesmo acusação de estupro. Estupro cola à imagem e nunca mais sai. Não é à toa que, dos três pais entrevistados pela Marie Claire, apenas um deles, o empresário Fernando Dantas da Silva, concordou em divulgar seu nome e mostrar o rosto. Os outros dois entrevistados receberam pseudônimos (André e Diego) e apareceram na foto que ilustra a matéria com o rosto encoberto, como se fossem bandidos.

Warren Farrell estava certo: “Hoje o homem que coloca seu pênis no corpo de uma mulher coloca sua vida nas mãos dela”. Na hora que os homens entenderem isso, perceberão que não é suficiente não casar e ter filhos com as mulheres. Será preciso também evitar o sexo com elas.

1 – Timothy Bella – Falsely accused of rape? In: Aljazeera America, 31 de outubro de 2013. Disponível em: http://america.aljazeera.com/watch/shows/america-tonight/america-tonight-blog/2013/10/31/for-the-falsely-accusedmovingonfromrapistbrandingachallenge.html.

2 – Christina Hoff Sommers – Who stole feminism? Tradução minha.

3 – Christina Hoff Sommers – Who stole feminism? Tradução minha.

4 – Timothy Bella – Op. Cit.

5 – Helen Smith – Men on Strike – Tradução minha.

6 – Timothy Bella – Op. Cit.

7 – G1 – Mastercard suspende ações de marketing com Neymar. 06 de junho de 2009. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2019/06/06/mastercard-suspende-acoes-de-marketing-com-neymar.ghtml.

8 – GAZETA ONLINE – Homem é torturado e morto após falsa denúncia de estupro na Serra. 13 de junho de 2017. Disponível em: https://www.gazetaonline.com.br/noticias/cidades/2017/06/homem-e-torturado-e-morto-apos-falsa-denuncia-de-estupro-na-serra-1014065989.html.

9 – G1 – Moradores de rua matam idoso após denúncia falsa de estupro em MG, diz polícia. 08 de abril de 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2019/04/08/moradores-de-rua-matam-idoso-apos-denuncia-falsa-de-estupro-em-mg-diz-policia.ghtml

10 – Letícia González – “Ninguém quer saber se você foi inocentado”, diz pai acusado pela ex de abusar sexualmente da própria filha. In: Marie Claire, 05 de setembro de 2014. Disponível em: https://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2014/09/ninguem-quer-saber-se-voce-foi-inocentado-diz-pai-acusado-pela-ex-de-abusar-sexualmente-da-propria-filha.html.

Crédito da imagem: http://camilabrasileiro.adv.br/o-que-fazer-de-falsa-denuncia-e-uso-indevido-da-lei-maria-da-penha/

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