Feminismo

Uma breve história dos sexos: da pré-história aos dias atuais

Quando a espécie humana surgiu, há 300 mil anos, os homens foram caçar, e as mulheres foram coletar frutos e raízes. Essa divisão laboral foi também uma divisão espacial: meninos ficaram à direita, meninas ficaram à esquerda. Homens e mulheres interagiam, confraternizavam, mas viviam em espaços diferentes. Foi também uma divisão psicológica: sabendo que iriam morrer, os homens aprenderam a valorizar mais a liberdade, a honra, a glória, a fama, o sexo etc. do que a vida. As mulheres, que tinham os homens pra morrer no lugar delas, continuaram valorizando a vida acima de qualquer coisa.

Podemos chamar o espaço dos homens de Mundo da Morte, porque era lá que os homens matavam e morriam, e o espaço da mulher de Munda da Vida, porque era lá que ela gerava novas vidas.

Durante milhares de anos, o Mundo da Morte teve duas características fundamentais: 1) a violência. Quem vivesse nele teria que ser violento se quisesse sobreviver; 2) a falta de opções. Quando nascia um menino, ele era educado desde pequeno para que, adulto, fosse capaz de caçar. Não havia outra coisa a fazer.

Enquanto perduraram essas duas características, as mulheres jamais reclamaram da divisão do trabalho, jamais alegaram que eram fortes e que podiam fazer tudo o que os homens faziam. Elas estavam sendo satisfeitas com as tarefas que lhes coubera e em ser vistas como fracas. Se você entrar numa máquina do tempo e voltar para a pré-história, você não encontrará nenhuma mulher protestando nesses termos contra os homens: “Você estão sendo injustos conosco. Enquanto vocês vão caçar mamutes, bisões e auroques e se expor ao risco de serem comidos por tigres, leões e leopardos, nós ficamos aqui cuidando de crianças e coletando frutos.”

Mas aí o tempo foi passando e aquelas duas características foram desaparecendo. Primeiro o trabalho mudou. É aquela coisa: inventa-se um Deus, conclui-se que é preciso um sacerdote para intermediar as relações entre os homens e a divindade. O sacerdote exige um templo, logo precisa-se de um pedreiro que o levante. O templo não pode ficar sem adornos, logo precisa-se de pintores e escultores que saibam fazer belas obras de arte. Por diversos processos semelhantes a esse, as funções sociais foram se diversificando cada vez mais.

Nessa altura, as mulheres ainda não queriam ocupar o Mundo da Morte, porque ainda era um mundo extremamente violento. Na Grécia antiga, por exemplo, havia artesãos, políticos, agricultores, pedreiros, escultores, escritores e toda uma gama variadíssima de profissionais. Mas cada um deles tinha que atender ao chamado das armas quando havia guerra. Na Idade Média, as funções sociais também eram numerosas, mas os homens que as exerciam tinham que ir para a guerra.

Veio então a Idade Moderna. Com o fim do feudalismo, começaram a se formar os grandes estados nacionais, que tiveram a excelente ideia de recrutar, treinar e assalariar um corpo de cidadãos capaz de protegê-los tanto de seus inimigos internos quanto externos. As taxas de criminalidade declinaram vertiginosamente, e o mundo foi se tornando mais civilizado.

Pronto. A grande transformação estava realizada. O trabalho deixara de significar risco de morte e passara a significar oportunidade de realização profissional e pessoal. E o Mundo da Morte, apesar de conservar resquícios da violência original (ainda hoje se ouve a frase: “A gente sai de casa e não sabe se volta”), tornou-se um lugar onde as pessoas podiam transitar com segurança.

Foi somente após essas duas mudanças que a mulher passou a reclamar da divisão laboral e espacial, porque a divisão psicológica ainda é conveniente para ela. Todo um conjunto de novas interpretações ganhou a luz do dia: o trabalho dela começou a ser descrito como chato, monótono, repetitivo; da casa resolveram dizer que era o espaço da exclusão, da segregação social; o homem, de protetor, passou a ser visto como seu carcereiro, e ela, de protegida, virou a sua escrava. Não bastasse isso, a mulher também descobriu subitamente que era forte, que podia fazer tudo o que o homem faz, que não precisava da proteção dele… A essa delícia, que consiste em reinterpretar o passado dos sexos a partir de um novo contexto histórico, deu-se o nome de feminismo.

Hoje as mulheres não querem apenas ocupar o mundo dos homens. Elas querem se apropriar dele. Não souberam criar um mundo para si, mas estão ansiosas para dominar o mundo criado pelos homens.

O ginocentrismo, amigos, é apenas isto: um ato supremo de parasitismo e pilhagem.

Crédito da imagem: http://www.imperioretro.com/2016/01/a-moda-na-pre-historia.html.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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